segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A insustentável leveza do ser

Um dia eu quis ser leve. Ter aquela leveza de comercial de sabão em pó, onde tudo é colorido, as pessoas são felizes e tudo cheira a lavanda. Eu queria ser leve assim. Sempre cruzo com pessoas que transaprecem essa leveza, que não trazem no rosto a expressão de seus sentimentos, de seus sofrimentos, que sempre estão sorrindo. Queria ser espontânea, não ficar enrolada com mil planos. Falar menos, chorar menos.

Só que acabei concluindo que eu não sou essa pessoa. Eu sou intensa em tudo que eu faço. Se eu gosto, eu gosto mesmo, eu me envolvo, eu me deixo levar, eu me entrego. Não fico na superfície, eu me preocupo, eu ligo, mando mensagem.

Quando eu não gosto, paciência. Eu não dou papo, eu não dou moral mesmo.

Quando eu estou feliz, todo mundo sabe, faço questão disso. Quando estou triste, é impossível esconder os olhos vermelhos.

Eu não sei falar pouco, quando eu vejo já falei até o que eu não devia.

Eu faço mil planos, e não acho que seja mau, pois são meus planos que mantém minha mente ativa, minha vontade de acordar todo dia.

Certa vez li uma frase, da Tati Bernardi, na qual ela afirmava que ela nunca tinha aprendido a ser menos intensa, e nem pretendia. Da mesma forma, eu não sei ser menos intensa do que eu sou. Não sei ficar na superfície dos sentimentos. Acho que a vida não teria muita graça de outra forma.

_____________________________________________


Depois de uns dias de férias, de volta ao meu blog.

4 comentários:

Clara Mazini disse...

Esse é um dos meus livros preferidos!

Nós temos mesmos que viver as coisas com a grandiosidade de sentimentos que elas podem.
Até, para quem sabe, na hora de ser leve, poder voar até mais alto. :)

Um beijo!

Clarice Lis disse...

Intensidade é bom, traz vida, traz paixão, faz o coração bater ligeiro ... Pense assim: a leveza também pode ser intensa (risos!) Continue sendo e honrando quem você é. beijos da janela

Cesar disse...

Delicia sua confisao de intensidade. È assim que tme de ser

Maldito disse...

sufocar quem nos somos é uma sensação horrivel,...é como prender o choro,....terrible!
Inté!